snc
Patologia de tumores do sistema nervoso central
Acometem o encéfalo e a medula espinhal. Incidência anual de 18 a 19/100.000. Prevalência de 130/100.000.
Mais da metade dos tumores são primários (50-86%), sendo os demais metastáticos (14-50%). Em crianças,
70% dos tumores localizam-se em fossa posterior (infratentoriais). Em adultos, maioria supratentoriais (acima
do cerebelo – 70%). Tumores raquidianos consistem em cerca de 15% dos casos.
Características especiais: diferença entre tumores benignos e malignos menos evidente. Tumores de
histologia benigna podem causar graves consequências clínicas de acordo com a localização, as estruturas
comprometidas e a possibilidade ou não de ressecção cirúrgica sem sequelas.
❖Vias de disseminação tumoral próprias. Metástases raras fora do SNC, mesmo em tumor de alto grau
histológico. O espaço subaracnoide é uma via de disseminação comum aos tumores agressivos, quando
bem diferenciados. Necessidade de correlação clínica e radiológica.
Classificação:
❖Neoplasias do tecido neuroepitelial: gliomas (neoplasias astrocitárias, oligodendrogliais,
oligoastrocitárias e ependimárias), neoplasias de plexo coroide, neoplasias neuronais e neuronais-gliais,
neoplasias de região pineal, neoplasias embrionárias e outras pouco diferenciadas.
❖Neoplasias de nervos cranianos e paraespinhais: schwannoma, neurofibroma, perineuroma, tumor
maligno da bainha do nervo periférico (MPNST).
❖Neoplasias das meninges: meningiomas, neoplasias mesenquimais e melanocíticas.
❖Outras neoplasias: linfo-hematopoiéticas, germinativas, da região selar e metastáticas.
Graduação (WHO): diferenciação prognóstica, com graus de diferenciação de I-IV. Critérios incluem atipias
nucleares, mitoses, proliferação vascular e necrose. Correlação com mutações IDH na nova classificação
(2016).
❖Grau I: neoplasia benigna.
❖Grau II: um critério, geralmente atipias nucleares. Sobrevida > 5 anos. Ex: astrocitoma difuso de baixo grau.
❖Grau III: dois critérios, geralmente atipias nucleares e mitoses. Sobrevida de 2-5 anos. Ex: astrocitoma anaplásico.
❖Grau IV: 3 ou 4 critérios. Sobrevida < 1 ano. Ex: glioblastoma multiforme.
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !40
GLIOMAS:
1. Neoplasias astrocitárias: conjunto de tumores com características distintas – astrocitoma difuso,
astrocitoma anaplásico, astrocitoma pilocítico, glioblastoma. Grupo mais frequente de tumores cerebrais.
A) Astrocitoma difuso: 80% dos tumores gliais do SNC em adultos. Mais comum em quarta e quinta
décadas, preferencialmente em hemisférios cerebrais (lobos frontal e temporal em adultos; em crianças,
costuma afetar tronco encefálico e tálamo). Manifestação de cefaleias, convulsões e sinais neurológicos
focais (dependentes do local do tumor). Neoplasia de Grau II.
❖A evolução e o prognóstico são dependentes do grau de diferenciação (astrocitomas bem diferenciados
apresentam sobrevida média superior a 5 anos, enquanto glioblastoma apresenta sobrevida média de
8-10 meses). O astrocitoma difuso pode progredir para lesões de graus maiores.
❖Tipos: fibrilar (mais frequente), gemistocítico, protoplasmático.
❖Morfologia: tumor pouco definido, infiltrativo, expansivo e cinzento. Crescimento difuso, limites
imprecisos. Ausência de atipia celular significativa, baixo índice mitótico.
B) Astrocitoma anaplásico: astrocitoma de grau III, de origem primária ou a partir de evolução de
astrocitoma difuso grau II. Mais comum em adultos. Sobrevida em 5 anos de 33%.
❖Morfologia: maior celularidade, ainda que mais bem localizado. Tumor bem delimitado, com maior grau
de atipia celular e índice mitótico significativo.
C) Glioblastoma: astrocitoma de grau IV. Tumor primario maligno mais comum do SNC (mais frequente).
Origem a partir de evolução de um astrocitoma grau III ou “de novo”. Mais frequente entre 45-70 anos
(embora também possa afetar crianças). Predileção sutil por homens (3H:2M).
❖Localizações: hemisférios cerebrais (lobo frontal – distúrbios do comportamento; pode afetar lobos
temporal e parietal), corpo caloso, núcleos da base, tálamo e tronco encefálico.
❖Péssimo prognóstico. Metástases restritas ao SNC.
❖Morfologia: muitas células, muitas atipias, muitas mitoses; proliferação vascular e necrose já definem
grau IV. Na macroscopia, distorção de giros e ventrículos, desvio de estruturas. Lesões cinzentas e
foscas, com áreas firmes, necrose, hemorragia e cistos.
D) Astrocitoma pilocítico: astrocitoma de baixo grau (I). Em crianças e adultos jovens (tumor encefálico
mais comum em crianças). Pode afetar área nobre, o que determina sua gravidade. Localização preferencial
em assoalho e parede do terceiro ventrículo (nervo óptico, tálamo, núcleos da base e cerebelo). Tratamento
cirúrgico.
❖Morfologia: células bipolares com longos processos capilares finos (Fibras de Rosenthal) e corpos
granulares eosinofílicos, além de microcistos. Atipias, mitose e necrose ausentes.
E) Outras neoplasias astrocitárias:
❖Xantoastrocitoma pleomórfico: grau II. Acomete crianças, adolescentes e adultos jovens, localizandose
em córtex cerebral (principalmente lobo temporal).
❖Astrocitoma de células gigantes subependimário: grau I. Associado à esclerose tuberosa. Acomete
crianças e adolescentes, localizando-se em ventrículos laterais.
2. Neoplasias oligondendrogliais:
❖Oligodendroglioma (Grau II): 5-15% dos gliomas, mais comum entre 30 e 60 anos.
❖Localização: frequentemente em substância branca dos lobos frontal, temporal e parietal. Locais
infrequentes incluem lobo occipital, cerebelo, tronco cerebral e medula espinhal.
❖Tumor de crescimento lento, com anos de queixas neurológicas e convulsões. Pode causar hemorragia
maciça. Sobrevida em 5 anos de 66% (5-10 anos de sobrevida média com associação de radioterapia,
quimioterapia e cirurgia).
❖Morfologia: lesão circunscrita, cinzenta e gelatinosa. Presença de cistos, hemorragias e calcificações
(em 90% dos casos). Alargamento do giro afetado e apagamento córtico-medular. Na microscopia,
oligodendrócito consiste em célula vacuolada, arredondada com núcleo central e pequeno nucléolo.
Pouca atipia no grau II, mais observada na variação anaplásica (III).
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !41
3. Neoplasias ependimárias (ependimoma):
❖Grau II. Mais comum nas duas primeiras décadas (revestimento ventricular e canal medular, em geral na
linha mediana do quarto ventrículo). Em adultos, afeta medula (associação com neurofibromatose tipo 2).
❖Manifestações clínicas: hipertensão intracraniana, sintomas sensitivos e motores. Disseminação no
LCR e hidrocefalia (obstrução ventricular). Sobrevida média de 4 anos com cirurgia e radioterapia.
❖Morfologia: lesão sólida, bem delimitada, de aspecto homogêneo. Na microscopia, formação de rosetas
verdadeiras (semelhantes a glândulas) e pseudo-rosetas vasculares (ao redor dos vasos).
NEOPLASIAS NEURONAIS:
❖Neurocitoma central: somente elementos neuronais. Tumor de baixo grau, afetando sistema ventricular
(laterais e III ventrículo). Diferenciação neuronal na imunohistoquímica.
❖Gangliogliomas: neurônios e glia. Mais comum em graus I e II. Tumores de crescimento lento,
associados a convulsões. Tratamento cirúrgico.
❖Tumor neuroepitelial desembrioplásico: neurônios e glia. Tumor de baixo grau, afetando lobo temporal
em crianças. Sintoma principal são as convulsões. Tratamento cirúrgico, com bom prognóstico.
NEOPLASIAS EMBRIONÁRIAS: meduloblastoma, PNETs (tumores primitivos neuroectodérmicos), tumor
teratoide/rabdoide atípico. Afetam pacientes jovens, com hipertensão intracraniana. Alto grau de malignidade,
com disseminação liquórica e metástases à distância. Boa resposta à terapêutica.
1. Meduloblastoma: grau IV. Origina-se no cerebelo e dissemina-se pelo encéfalo e pela medula. Cerca de
20% dos tumores intracranianos abaixo dos 20 anos (segundo apos o astrocitoma pilocítico).
❖Localização: em crianças, vérmis cerebelar. Em adultos, hemisférios cerebelares.
❖Altamente maligno, de crescimento rápido. Sobrevida depende da totalidade da ressecção e de
radioterapia (até 75% em 5 anos).
❖Morfologia: lesão circunscrita, róseo-avermelhada, friável, preenchendo o quarto ventrículo. Na
microscopia, acentuada hipercelularidade; células pequenas, com citoplasma escasso e núcleos
hipercromáticos (coloração azulada). Alto índice mitótico. Presença de rosetas neuroblásticas (de Homer-
Wright).
2. PNETs: neoplasias de alto grau de malignidade (grau IV) oriundas de celulas neuroepiteliais embrionárias.
Acometem crianças, preferencialmente em hemisférios cerebrais.
❖Tipos: neuroblastoma do SNC (neuroblastos), ganglioneuroblastoma (neurônios maduros),
meduloepitelioma (estruturas semelhantes do tubo neural), ependimoblastoma (rosetas
ependimoblásticas).
NEOPLASIAS DOS NERVOS CRANIANOS E PARAESPINHAIS: mais comuns no sistema nervoso
periférico (tronco, membros superiores e inferiores).
1. Schwannoma: neoplasia originada em células de Schwann, benigna (grau
I).
❖Localização: raízes dos nervos raquidianos (tumor intra-raquidiano mais
frequente) e cranianos.
- Intracranianos: neuroma acústico (ramo vestibular do oitavo nervo
craniano; tumor no ângulo ponto-cerebelar). Manifestação de zumbidos
e perda auditiva.
- Extracranianos: nervos sensitivos (trigêmeo) e motores e sensitivos
(extradurais).
❖Morfologia: tumores circunscritos, encapsulados, aderidos ao nervo.
2. Neurofibroma: neoplasia formada por axônios, células de Schwann, células perineurais e fibroblastos.
Tumor benigno (grau I), em nervos periféricos (mais comum). Raramente pode evoluir para neoplasia maligna
(tumor maligno da bainha do nervo periférico - MPNST).
❖Neurofibroma plexiforme: grandes feixes nervosos, múltiplos, em geral em tronco encefálico (NF1).
Difícil ressecção, com potencial de malignização.
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !42
3. Tumor maligno da bainha de nervo periférico: invasividade local, recidivas múltiplas e metástases.
“Novos” ou transformação maligna de neurofibroma plexiforme (novas mutações). Massas tumorais
infiltrativas, com células alongadas, necrose, anaplasia e mitoses. Tratamento cirúrgico e radioterápico.
NEOPLASIAS DAS MENINGES:
Meningiomas: tumor primário mais frequente do SNC (o maligno mais comum é o glioblastoma, mas no geral
é o meningeoma), originado nas células meningoteliais da aracnoide. Mais frequentes em mulheres (2-4:1),
por uso de anticoncepcionais orais (estimulação por hormônios). Ocorrem na idade adulta, de evolução lenta
(sintomas vagos de compressão). Maioria dos tumores é grau I (benignos), mas uma minoria pode ser
encontrada em graus II e III.
❖Associações: irradiação, altos níveis de progesterona, carcinoma de mama (sensíveis a hormônios),
neurofibromatose tipo 2.
❖Localização: nas superfícies externas do cérebro. Parassagital (+ frequente), sulco lateral, asa do
esfenoide, sulco olfatório, sela túrcica, forame magno.
❖Morfologia: formação de nódulos e placas (en plaque). Tipos histológicos meningotelial (enovelado de
células), fibroblástico e transicional (misto). Variante atípica (grau II, com mitoses) e anaplásica (grau III).
- Psamomas: calcificação concêntrica indicativa de meningioma de crescimento lento.
NEOPLASIAS GERMINATIVAS: germinoma (40% a 65%), teratoma (20%), tumor de saco vitelínico,
carcinoma embrionário (10%), coriocarcinoma e tumores Mistos (30%).
METÁSTASES: 14% a menos de 50% dos tumores do SNC com apresentação clínica. Encontradas em 24%
dos pacientes com história de câncer submetidos à autópsia.
❖Sítios primários: 80% em pulmão (mais frequente), mama, melanoma, rim e trato gastrointestinal. 11%
com sítio primário desconhecido.
❖Morfologia: lesões circunscritas, múltiplas, cercadas por edema peritumoral. Diâmetro inferior a 1 cm na
maioria dos nódulos múltiplos, podendo chegar a 3-5 cm em nódulos solitários. Tendência hemorrágica.
Histologia do tumor primário.
❖Localização: hemisférios cerebrais (frontal e parietal – 80%), cerebelo, epidural, subdural ou intradural.
Acometem o encéfalo e a medula espinhal. Incidência anual de 18 a 19/100.000. Prevalência de 130/100.000.
Mais da metade dos tumores são primários (50-86%), sendo os demais metastáticos (14-50%). Em crianças,
70% dos tumores localizam-se em fossa posterior (infratentoriais). Em adultos, maioria supratentoriais (acima
do cerebelo – 70%). Tumores raquidianos consistem em cerca de 15% dos casos.
Características especiais: diferença entre tumores benignos e malignos menos evidente. Tumores de
histologia benigna podem causar graves consequências clínicas de acordo com a localização, as estruturas
comprometidas e a possibilidade ou não de ressecção cirúrgica sem sequelas.
❖Vias de disseminação tumoral próprias. Metástases raras fora do SNC, mesmo em tumor de alto grau
histológico. O espaço subaracnoide é uma via de disseminação comum aos tumores agressivos, quando
bem diferenciados. Necessidade de correlação clínica e radiológica.
Classificação:
❖Neoplasias do tecido neuroepitelial: gliomas (neoplasias astrocitárias, oligodendrogliais,
oligoastrocitárias e ependimárias), neoplasias de plexo coroide, neoplasias neuronais e neuronais-gliais,
neoplasias de região pineal, neoplasias embrionárias e outras pouco diferenciadas.
❖Neoplasias de nervos cranianos e paraespinhais: schwannoma, neurofibroma, perineuroma, tumor
maligno da bainha do nervo periférico (MPNST).
❖Neoplasias das meninges: meningiomas, neoplasias mesenquimais e melanocíticas.
❖Outras neoplasias: linfo-hematopoiéticas, germinativas, da região selar e metastáticas.
Graduação (WHO): diferenciação prognóstica, com graus de diferenciação de I-IV. Critérios incluem atipias
nucleares, mitoses, proliferação vascular e necrose. Correlação com mutações IDH na nova classificação
(2016).
❖Grau I: neoplasia benigna.
❖Grau II: um critério, geralmente atipias nucleares. Sobrevida > 5 anos. Ex: astrocitoma difuso de baixo grau.
❖Grau III: dois critérios, geralmente atipias nucleares e mitoses. Sobrevida de 2-5 anos. Ex: astrocitoma anaplásico.
❖Grau IV: 3 ou 4 critérios. Sobrevida < 1 ano. Ex: glioblastoma multiforme.
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !40
GLIOMAS:
1. Neoplasias astrocitárias: conjunto de tumores com características distintas – astrocitoma difuso,
astrocitoma anaplásico, astrocitoma pilocítico, glioblastoma. Grupo mais frequente de tumores cerebrais.
A) Astrocitoma difuso: 80% dos tumores gliais do SNC em adultos. Mais comum em quarta e quinta
décadas, preferencialmente em hemisférios cerebrais (lobos frontal e temporal em adultos; em crianças,
costuma afetar tronco encefálico e tálamo). Manifestação de cefaleias, convulsões e sinais neurológicos
focais (dependentes do local do tumor). Neoplasia de Grau II.
❖A evolução e o prognóstico são dependentes do grau de diferenciação (astrocitomas bem diferenciados
apresentam sobrevida média superior a 5 anos, enquanto glioblastoma apresenta sobrevida média de
8-10 meses). O astrocitoma difuso pode progredir para lesões de graus maiores.
❖Tipos: fibrilar (mais frequente), gemistocítico, protoplasmático.
❖Morfologia: tumor pouco definido, infiltrativo, expansivo e cinzento. Crescimento difuso, limites
imprecisos. Ausência de atipia celular significativa, baixo índice mitótico.
B) Astrocitoma anaplásico: astrocitoma de grau III, de origem primária ou a partir de evolução de
astrocitoma difuso grau II. Mais comum em adultos. Sobrevida em 5 anos de 33%.
❖Morfologia: maior celularidade, ainda que mais bem localizado. Tumor bem delimitado, com maior grau
de atipia celular e índice mitótico significativo.
C) Glioblastoma: astrocitoma de grau IV. Tumor primario maligno mais comum do SNC (mais frequente).
Origem a partir de evolução de um astrocitoma grau III ou “de novo”. Mais frequente entre 45-70 anos
(embora também possa afetar crianças). Predileção sutil por homens (3H:2M).
❖Localizações: hemisférios cerebrais (lobo frontal – distúrbios do comportamento; pode afetar lobos
temporal e parietal), corpo caloso, núcleos da base, tálamo e tronco encefálico.
❖Péssimo prognóstico. Metástases restritas ao SNC.
❖Morfologia: muitas células, muitas atipias, muitas mitoses; proliferação vascular e necrose já definem
grau IV. Na macroscopia, distorção de giros e ventrículos, desvio de estruturas. Lesões cinzentas e
foscas, com áreas firmes, necrose, hemorragia e cistos.
D) Astrocitoma pilocítico: astrocitoma de baixo grau (I). Em crianças e adultos jovens (tumor encefálico
mais comum em crianças). Pode afetar área nobre, o que determina sua gravidade. Localização preferencial
em assoalho e parede do terceiro ventrículo (nervo óptico, tálamo, núcleos da base e cerebelo). Tratamento
cirúrgico.
❖Morfologia: células bipolares com longos processos capilares finos (Fibras de Rosenthal) e corpos
granulares eosinofílicos, além de microcistos. Atipias, mitose e necrose ausentes.
E) Outras neoplasias astrocitárias:
❖Xantoastrocitoma pleomórfico: grau II. Acomete crianças, adolescentes e adultos jovens, localizandose
em córtex cerebral (principalmente lobo temporal).
❖Astrocitoma de células gigantes subependimário: grau I. Associado à esclerose tuberosa. Acomete
crianças e adolescentes, localizando-se em ventrículos laterais.
2. Neoplasias oligondendrogliais:
❖Oligodendroglioma (Grau II): 5-15% dos gliomas, mais comum entre 30 e 60 anos.
❖Localização: frequentemente em substância branca dos lobos frontal, temporal e parietal. Locais
infrequentes incluem lobo occipital, cerebelo, tronco cerebral e medula espinhal.
❖Tumor de crescimento lento, com anos de queixas neurológicas e convulsões. Pode causar hemorragia
maciça. Sobrevida em 5 anos de 66% (5-10 anos de sobrevida média com associação de radioterapia,
quimioterapia e cirurgia).
❖Morfologia: lesão circunscrita, cinzenta e gelatinosa. Presença de cistos, hemorragias e calcificações
(em 90% dos casos). Alargamento do giro afetado e apagamento córtico-medular. Na microscopia,
oligodendrócito consiste em célula vacuolada, arredondada com núcleo central e pequeno nucléolo.
Pouca atipia no grau II, mais observada na variação anaplásica (III).
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !41
3. Neoplasias ependimárias (ependimoma):
❖Grau II. Mais comum nas duas primeiras décadas (revestimento ventricular e canal medular, em geral na
linha mediana do quarto ventrículo). Em adultos, afeta medula (associação com neurofibromatose tipo 2).
❖Manifestações clínicas: hipertensão intracraniana, sintomas sensitivos e motores. Disseminação no
LCR e hidrocefalia (obstrução ventricular). Sobrevida média de 4 anos com cirurgia e radioterapia.
❖Morfologia: lesão sólida, bem delimitada, de aspecto homogêneo. Na microscopia, formação de rosetas
verdadeiras (semelhantes a glândulas) e pseudo-rosetas vasculares (ao redor dos vasos).
NEOPLASIAS NEURONAIS:
❖Neurocitoma central: somente elementos neuronais. Tumor de baixo grau, afetando sistema ventricular
(laterais e III ventrículo). Diferenciação neuronal na imunohistoquímica.
❖Gangliogliomas: neurônios e glia. Mais comum em graus I e II. Tumores de crescimento lento,
associados a convulsões. Tratamento cirúrgico.
❖Tumor neuroepitelial desembrioplásico: neurônios e glia. Tumor de baixo grau, afetando lobo temporal
em crianças. Sintoma principal são as convulsões. Tratamento cirúrgico, com bom prognóstico.
NEOPLASIAS EMBRIONÁRIAS: meduloblastoma, PNETs (tumores primitivos neuroectodérmicos), tumor
teratoide/rabdoide atípico. Afetam pacientes jovens, com hipertensão intracraniana. Alto grau de malignidade,
com disseminação liquórica e metástases à distância. Boa resposta à terapêutica.
1. Meduloblastoma: grau IV. Origina-se no cerebelo e dissemina-se pelo encéfalo e pela medula. Cerca de
20% dos tumores intracranianos abaixo dos 20 anos (segundo apos o astrocitoma pilocítico).
❖Localização: em crianças, vérmis cerebelar. Em adultos, hemisférios cerebelares.
❖Altamente maligno, de crescimento rápido. Sobrevida depende da totalidade da ressecção e de
radioterapia (até 75% em 5 anos).
❖Morfologia: lesão circunscrita, róseo-avermelhada, friável, preenchendo o quarto ventrículo. Na
microscopia, acentuada hipercelularidade; células pequenas, com citoplasma escasso e núcleos
hipercromáticos (coloração azulada). Alto índice mitótico. Presença de rosetas neuroblásticas (de Homer-
Wright).
2. PNETs: neoplasias de alto grau de malignidade (grau IV) oriundas de celulas neuroepiteliais embrionárias.
Acometem crianças, preferencialmente em hemisférios cerebrais.
❖Tipos: neuroblastoma do SNC (neuroblastos), ganglioneuroblastoma (neurônios maduros),
meduloepitelioma (estruturas semelhantes do tubo neural), ependimoblastoma (rosetas
ependimoblásticas).
NEOPLASIAS DOS NERVOS CRANIANOS E PARAESPINHAIS: mais comuns no sistema nervoso
periférico (tronco, membros superiores e inferiores).
1. Schwannoma: neoplasia originada em células de Schwann, benigna (grau
I).
❖Localização: raízes dos nervos raquidianos (tumor intra-raquidiano mais
frequente) e cranianos.
- Intracranianos: neuroma acústico (ramo vestibular do oitavo nervo
craniano; tumor no ângulo ponto-cerebelar). Manifestação de zumbidos
e perda auditiva.
- Extracranianos: nervos sensitivos (trigêmeo) e motores e sensitivos
(extradurais).
❖Morfologia: tumores circunscritos, encapsulados, aderidos ao nervo.
2. Neurofibroma: neoplasia formada por axônios, células de Schwann, células perineurais e fibroblastos.
Tumor benigno (grau I), em nervos periféricos (mais comum). Raramente pode evoluir para neoplasia maligna
(tumor maligno da bainha do nervo periférico - MPNST).
❖Neurofibroma plexiforme: grandes feixes nervosos, múltiplos, em geral em tronco encefálico (NF1).
Difícil ressecção, com potencial de malignização.
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !42
3. Tumor maligno da bainha de nervo periférico: invasividade local, recidivas múltiplas e metástases.
“Novos” ou transformação maligna de neurofibroma plexiforme (novas mutações). Massas tumorais
infiltrativas, com células alongadas, necrose, anaplasia e mitoses. Tratamento cirúrgico e radioterápico.
NEOPLASIAS DAS MENINGES:
Meningiomas: tumor primário mais frequente do SNC (o maligno mais comum é o glioblastoma, mas no geral
é o meningeoma), originado nas células meningoteliais da aracnoide. Mais frequentes em mulheres (2-4:1),
por uso de anticoncepcionais orais (estimulação por hormônios). Ocorrem na idade adulta, de evolução lenta
(sintomas vagos de compressão). Maioria dos tumores é grau I (benignos), mas uma minoria pode ser
encontrada em graus II e III.
❖Associações: irradiação, altos níveis de progesterona, carcinoma de mama (sensíveis a hormônios),
neurofibromatose tipo 2.
❖Localização: nas superfícies externas do cérebro. Parassagital (+ frequente), sulco lateral, asa do
esfenoide, sulco olfatório, sela túrcica, forame magno.
❖Morfologia: formação de nódulos e placas (en plaque). Tipos histológicos meningotelial (enovelado de
células), fibroblástico e transicional (misto). Variante atípica (grau II, com mitoses) e anaplásica (grau III).
- Psamomas: calcificação concêntrica indicativa de meningioma de crescimento lento.
NEOPLASIAS GERMINATIVAS: germinoma (40% a 65%), teratoma (20%), tumor de saco vitelínico,
carcinoma embrionário (10%), coriocarcinoma e tumores Mistos (30%).
METÁSTASES: 14% a menos de 50% dos tumores do SNC com apresentação clínica. Encontradas em 24%
dos pacientes com história de câncer submetidos à autópsia.
❖Sítios primários: 80% em pulmão (mais frequente), mama, melanoma, rim e trato gastrointestinal. 11%
com sítio primário desconhecido.
❖Morfologia: lesões circunscritas, múltiplas, cercadas por edema peritumoral. Diâmetro inferior a 1 cm na
maioria dos nódulos múltiplos, podendo chegar a 3-5 cm em nódulos solitários. Tendência hemorrágica.
Histologia do tumor primário.
❖Localização: hemisférios cerebrais (frontal e parietal – 80%), cerebelo, epidural, subdural ou intradural.
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