Patologia das vias aéreas superiores e laringe
VIAS AÉREAS SUPERIORES
Mucosa sinonasal: epitélio escamoso, epitélio respiratório pseudoestratificado colunar, glândulas
submucosas e coleções de linfócitos (tonsilas).
Patologia de vias aéreas superiores: infecções, neoplasias benignas, neoplasias malignas.
Infecções: influenza, parainfluenza, adenovírus, estreptococos, vírus sincicial respiratório, micoses, doenças
alérgicas.
Neoplasias benignas: papilomas, pólipos, neoplasias mesenquimais.
Neoplasias malignas: carcinomas, neoplasias hematológicas.
1. Pólipo inflamatório: protrusão focal da mucosa, de 3-4 cm. Pólipos nasais alérgicos podem ser
encontrados bilateralmente em 0.5% dos pacientes atópicos. Massas polipoides macias e edemaciadas, em
fossas nasais e seios paranasais. Na microscopia, estroma frouxo revestido por epitélio, infiltrado inflamatório
misto rico em eosinófilos e cistos. Associação com mucoviscidose (fibrose cística) em 6-10% dos casos.
2. Doenças inflamatórias:
❖Sinusite crônica (purulenta ou não): mais comum em seio maxilar (a partir de extensão de infecção
periapical através do assoalho do osso do seio). Vários agentes microbianos, geralmente habitantes da
cavidade oral. A drenagem deficiente do seio em função do edema inflamatório da mucosa contribui para
encerrar um exsudato supurativo e produzir um empiema do seio. Na microscopia, infiltrado inflamatório,
hiperplasia glandular e espessamento. Remodelação óssea.
❖Mucocele: complicação da sinusite crônica, por obstrução de efluxo. Formação de pseudocistos e
acúmulo de secreções mucoides na ausência de invasão bacteriana direta.
❖Infecções micóticas (em seios paranasais): predisposição à mucormicose em pacientes com DM
(forma mais grave de sinusite crônica).
- Embora a maioria das sinusites crônicas seja mais desconfortável do que incapacitante ou grave, as
infecções possuem potencial de se espalhar para a órbita ou penetrar o osso adjacente e dar origem a
uma osteomielite ou invadir a abóbada craniana, causando tromboflebite séptica do seio venoso dural.
❖Sinusite fúngica alérgica: Aspergillus, rinosporidiose (Índia). Lesão polipoide hiperplásica, cistos
globulares com esporos.
❖Tuberculose: pode afetar cavidade nasal, nasofaringe e seios paranasais. Associação com adenopatia
cervical.
❖Rinoescleroma: Klebsiella. Presença de macrófagos espumosos.
❖Granulomatose de Wegener: associada a comprometimento pulmonar e renal. Vasculite, granulomas
com necrose.
3. Neoplasias: papiloma sinonasal, carcinoma sinonasal, carcinoma nasofaríngeo, tumor de glândulas
salivares, neurogênicos (meningioma, astrocitoma, neuroblastoma olfatório, heterotopias gliais), melanoma,
linfoides (linfoma, granuloma de linha média), angiofibroma, cisto dermoide, teratomas.
A) Papiloma sinonasal: neoplasia benigna composta por epitélio escamoso ou colunar (transicional,
Schneideriano). Mais comum em adultos do sexo masculino. Sintomas de epistaxe e obstrução nasal.
Unilaterais, devido ao epitélio escamoso. Pode ocorrer na forma exofítica (mais comum), invertida ou
cilíndrica. Associação com HPV 6 e 11 e EBV.
O papiloma sinonasal invertido é um subtipo localmente agressivo. Se não adequadamente excisado,
apresenta alta taxa de recorrência e potencial de complicações por invasão de órbita ou abóbada craniana.
B) Carcinoma sinonasal: neoplasia rara. Mais comum do lado esquerdo. Incidência aumentada em
mineradores. Afeta vestíbulo e parede lateral e osso etmoide. Diagnóstico tardio, com invasão e destruição
óssea.
❖Tipos histológicos: escamoso, transicional, verrucoso, adenocarcinoma, indiferenciado.
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !29
❖Tratamento: cirúrgico e radioterápico. Sobrevida em 5 anos de 60%.
C) Carcinoma nasofaríngeo: relação íntima com tecido linfoide e infecção por EBV. Importante neoplasia do
Sudoeste da Ásia e norte da África. Dois picos de incidência, aos 15-25 e aos 60-69 anos. Predisposição
genética, idade e fatores ambientais determinam a origem de tais neoplasmas.
❖Padrões histológicos: carcinoma escamoso queratinizado, carcinoma escamoso não queratinizado e
carcinoma indiferenciado.
❖Metástase para linfonodos regionais (cervicais, em 70% dos pacientes).
❖Tratamento radioterápico (de escolha) ou quimioterápico.
D) Angiofibroma: ocorre em homens de 10-25 anos. Neoplasia benigna andrógeno-dependente. Massa
polipoide, com sangramento. Na microscopia, identificação de vasos e estroma fibroso. Tratamento cirúrgico.
LARINGE
Regiões anatômicas:
❖Região supraglótica (epitélio respiratório): desde a ponta da epiglote até as pregas vocais
verdadeiras.
❖Região glótica (epitélio escamoso): pregas vocais e comissura anterior.
❖Região subglótica (epitélio respiratório): da borda inferior da corda vocal até a primeira cartilagem
traqueal.
Patologia de laringe: cistos e laringocele (saculares, ductais), inflamação (laringite, epiglotite, tuberculose,
histoplasmose, aspergilose, criptococose), nódulos laríngeos, papilomatose laríngea juvenil, lesões prémalignas,
carcinoma invasivo, tumor de glândulas salivares, tumor carcinoide, outros tumores.
1. Inflamação da laringe:
❖Laringite: pode ocorrer como manifestação isolada de alergia, infecção viral ou bacteriana ou agressão
química, mas é mais comumente parte de uma infecção generalizada do trato respiratório superior ou
resultado de exposição a toxinas ambientais, como fumaça de cigarro. Outros fatores de risco incluem
uso da voz, agentes químicos, refluxo gastroesofágico, álcool.
- Embora a maioria das infecções seja autolimitada, elas podem se tornar graves, especialmente durante
a infância e a adolescência, quando a congestão da mucosa, a exsudação e o edema podem causar
obstrução da laringe.
- A forma mais comum de laringite encontrada em tabagistas intensos predispõe metaplasia epitelial
escamosa e, algumas vezes, o surgimento de carcinoma.
❖Epiglotite: H. influenzae. Quadro de edema e obstrução.
2. Nódulo laríngeo: reação não inflamatória à injúria ("nódulo do cantor"). Excrescência peduncular ou séssil,
arredondada e lisa, de poucos milímetros. Acomete terço anterior das
cordas vocais. Na microscopia, edema, proliferação de fibroblastos e áreas
hialinas.
❖Mais comuns em tabagistas intensos ou em indivíduos que impõem
grandes esforços às cordas vocais. Por convenção, os nódulos de
cantor são lesões bilaterais e os pólipos unilaterais. Adultos,
predominantemente homens, são mais afetados.
❖A localização estratégica da lesão e a inflamação que a acompanha
alteram as características da voz, com o paciente manifestando
rouquidão.
3. Papiloma e papilomatose laríngea: em crianças e adolescentes,
múltiplas lesões, predispostas por infecção por HPV 11 e 6 (papilomatose
laríngea). Podem evoluir raramente para carcinoma in situ. No adulto, lesão
solitária (papiloma), mais comum em homens, localizada sobre as cordas vocais verdadeiras, que forma
excrescências frouxas de aspecto de framboesa de poucos milímetros de dimensão.
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !30
4. Lesões pré-malignas: a probabilidade de desenvolvimento de carcinoma evidente é diretamente
proporcional ao nível de atipia com que a lesão é primeiramente observada.
❖Ceratose: fumantes e cantores. Envolve as cordas vocais. Hiperplasia epitelial, acantose e
hiperceratose.
❖Displasia: atipias celulares, perda da maturação. Leve, moderada e severa.
❖Carcinoma in situ: isolado ou associado a carcinoma invasivo.
5. Carcinoma invasivo: 2.2% dos cânceres em homens e 0.4% em mulheres (96% dos pacientes são do
sexo masculino). Mais comum na quinta década. Fumo e álcool são os principais fatores de risco (outros
fatores incluem fatores nutricionais, irradiação e infecção por HPV). Risco aumentado de um segundo tumor
no trato aéreo-digestivo superior.
A) Carcinoma glótico (60-65%): pregas vocais e comissura anterior. Evolução longa (tecido cartilaginoso,
poucos vasos linfáticos). Tratamento cirúrgico (hemilaringectomia, laringectomia radical, cordectomia),
podendo associar-se à radioterapia. Metástase em até 7.2% dos tumores T2.
❖Manifestações clínicas: em tempo intermediário. Disfonia, afonia e dispneia.
B) Carcinoma supraglótico (30-35%): falsas cordas, ventrículos e epiglote.
Disseminação periepiglótica, com metástases nodais em até 40% dos casos.
Tratamento com radioterapia e laringectomia.
❖Manifestações clínicas: precoces. Disfagia, odinofagia, disfonia, otalgia,
linfoadenomegalia cervical.
C) Carcinoma transglótico (menos de 5%): atravessa o ventrículo laríngeo.
Envolvimento nodal em 52% dos casos.
D) Carcinoma infraglótico (menos de 5%): tumores glóticos com envolvimento de mais de 1 cm da região
infraglótica ou confinados à região infraglótica. Invasão da cricoide. Metástases em 15-20% dos casos.
❖Manifestações clínicas: tardiamente, há manifestação de dispneia.
Tipos histológicos de carcinoma laríngeo:
- Carcinoma epidermoide: 90% dos casos. Inicia como lesão in situ que mais tarde assume aparência de
placa enrugada, cinza-perolada, na superfície da mucosa. Por fim, torna-se ulcerada e exuberante.
- Carcinoma verrucoso: raro, bem diferenciado, associado ao EBV.
- Carcinoma de pequenas células: sexta década, em fumantes pesados.
- Outros: adenocarcinoma, carcinoma sarcomatoide.
Carcinoma supraglótico Carcinoma glótico Carcinoma infraglótico
T1 Limitado a uma região anatômica, sem
alteração da mobilidade da corda vocal
Limitado à corda vocal, com mobilidade
preservada (envolve uma [a] ou ambas [b]
as cordas vocais)
Limitado à infraglote
T2 Tumor que invade a mucosa de mais de
um subsítio ou com extensão para a glote,
pregas vocais normais
Tumor estende-se à supraglote ou infraglote,
e/ou com mobilidade de corda vocal
diminuída
Tumor estende-se às cordas vocais
T3 Tumor limitado à laringe, com fixação das
cordas vocais, ou extensão da hipofaringe
ou espaço pré-epiglótico
Tumor limitado à laringe, com fixação das
cordas vocais
Tumor limitado à laringe, com fixação
das cordas vocais
T4a Invasão da cartilagem tireoide e/ou
tecidos adjacentes
Invasão da cartilagem tireoide e/ou tecidos
adjacentes
Invasão da cartilagem tireoide e/ou
tecidos adjacentes
T4b Invasão de espaço pré-vertebral, artéria
carótida ou estruturas mediastinais
Invasão de espaço pré-vertebral, artéria
carótida ou estruturas mediastinais
Invasão de espaço pré-vertebral,
artéria carótida ou estruturas
mediastinais
N N1 - metástase em um único linfonodo homolateral < 3 cm / N2a - linfonodo homolateral entre 3-6 cm / N2b - linfonodos
homolaterais multiplos < 6 cm / N2c - linfonodos bilaterais ou contralaterais < 6 cm / N3 - linfonodo > 6 cm.
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !31
Metástases: à distância, principalmente para linfonodos regionais e pulmão. Por extensão direta, para veia
jugular e tireoide.
Prognóstico: dependente de estágio clínico e local. Sobrevida em 5 anos de 80% em carcinoma glótico (I
90% -> II 85% -> III 60% -> IV < 5%), 65% em carcinoma supraglótico (I 85% -> II 75% -> III 45% -> IV < 5%),
50% em transglóticos e 40% em infraglóticos.
VIAS AÉREAS SUPERIORES
Mucosa sinonasal: epitélio escamoso, epitélio respiratório pseudoestratificado colunar, glândulas
submucosas e coleções de linfócitos (tonsilas).
Patologia de vias aéreas superiores: infecções, neoplasias benignas, neoplasias malignas.
Infecções: influenza, parainfluenza, adenovírus, estreptococos, vírus sincicial respiratório, micoses, doenças
alérgicas.
Neoplasias benignas: papilomas, pólipos, neoplasias mesenquimais.
Neoplasias malignas: carcinomas, neoplasias hematológicas.
1. Pólipo inflamatório: protrusão focal da mucosa, de 3-4 cm. Pólipos nasais alérgicos podem ser
encontrados bilateralmente em 0.5% dos pacientes atópicos. Massas polipoides macias e edemaciadas, em
fossas nasais e seios paranasais. Na microscopia, estroma frouxo revestido por epitélio, infiltrado inflamatório
misto rico em eosinófilos e cistos. Associação com mucoviscidose (fibrose cística) em 6-10% dos casos.
2. Doenças inflamatórias:
❖Sinusite crônica (purulenta ou não): mais comum em seio maxilar (a partir de extensão de infecção
periapical através do assoalho do osso do seio). Vários agentes microbianos, geralmente habitantes da
cavidade oral. A drenagem deficiente do seio em função do edema inflamatório da mucosa contribui para
encerrar um exsudato supurativo e produzir um empiema do seio. Na microscopia, infiltrado inflamatório,
hiperplasia glandular e espessamento. Remodelação óssea.
❖Mucocele: complicação da sinusite crônica, por obstrução de efluxo. Formação de pseudocistos e
acúmulo de secreções mucoides na ausência de invasão bacteriana direta.
❖Infecções micóticas (em seios paranasais): predisposição à mucormicose em pacientes com DM
(forma mais grave de sinusite crônica).
- Embora a maioria das sinusites crônicas seja mais desconfortável do que incapacitante ou grave, as
infecções possuem potencial de se espalhar para a órbita ou penetrar o osso adjacente e dar origem a
uma osteomielite ou invadir a abóbada craniana, causando tromboflebite séptica do seio venoso dural.
❖Sinusite fúngica alérgica: Aspergillus, rinosporidiose (Índia). Lesão polipoide hiperplásica, cistos
globulares com esporos.
❖Tuberculose: pode afetar cavidade nasal, nasofaringe e seios paranasais. Associação com adenopatia
cervical.
❖Rinoescleroma: Klebsiella. Presença de macrófagos espumosos.
❖Granulomatose de Wegener: associada a comprometimento pulmonar e renal. Vasculite, granulomas
com necrose.
3. Neoplasias: papiloma sinonasal, carcinoma sinonasal, carcinoma nasofaríngeo, tumor de glândulas
salivares, neurogênicos (meningioma, astrocitoma, neuroblastoma olfatório, heterotopias gliais), melanoma,
linfoides (linfoma, granuloma de linha média), angiofibroma, cisto dermoide, teratomas.
A) Papiloma sinonasal: neoplasia benigna composta por epitélio escamoso ou colunar (transicional,
Schneideriano). Mais comum em adultos do sexo masculino. Sintomas de epistaxe e obstrução nasal.
Unilaterais, devido ao epitélio escamoso. Pode ocorrer na forma exofítica (mais comum), invertida ou
cilíndrica. Associação com HPV 6 e 11 e EBV.
O papiloma sinonasal invertido é um subtipo localmente agressivo. Se não adequadamente excisado,
apresenta alta taxa de recorrência e potencial de complicações por invasão de órbita ou abóbada craniana.
B) Carcinoma sinonasal: neoplasia rara. Mais comum do lado esquerdo. Incidência aumentada em
mineradores. Afeta vestíbulo e parede lateral e osso etmoide. Diagnóstico tardio, com invasão e destruição
óssea.
❖Tipos histológicos: escamoso, transicional, verrucoso, adenocarcinoma, indiferenciado.
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !29
❖Tratamento: cirúrgico e radioterápico. Sobrevida em 5 anos de 60%.
C) Carcinoma nasofaríngeo: relação íntima com tecido linfoide e infecção por EBV. Importante neoplasia do
Sudoeste da Ásia e norte da África. Dois picos de incidência, aos 15-25 e aos 60-69 anos. Predisposição
genética, idade e fatores ambientais determinam a origem de tais neoplasmas.
❖Padrões histológicos: carcinoma escamoso queratinizado, carcinoma escamoso não queratinizado e
carcinoma indiferenciado.
❖Metástase para linfonodos regionais (cervicais, em 70% dos pacientes).
❖Tratamento radioterápico (de escolha) ou quimioterápico.
D) Angiofibroma: ocorre em homens de 10-25 anos. Neoplasia benigna andrógeno-dependente. Massa
polipoide, com sangramento. Na microscopia, identificação de vasos e estroma fibroso. Tratamento cirúrgico.
LARINGE
Regiões anatômicas:
❖Região supraglótica (epitélio respiratório): desde a ponta da epiglote até as pregas vocais
verdadeiras.
❖Região glótica (epitélio escamoso): pregas vocais e comissura anterior.
❖Região subglótica (epitélio respiratório): da borda inferior da corda vocal até a primeira cartilagem
traqueal.
Patologia de laringe: cistos e laringocele (saculares, ductais), inflamação (laringite, epiglotite, tuberculose,
histoplasmose, aspergilose, criptococose), nódulos laríngeos, papilomatose laríngea juvenil, lesões prémalignas,
carcinoma invasivo, tumor de glândulas salivares, tumor carcinoide, outros tumores.
1. Inflamação da laringe:
❖Laringite: pode ocorrer como manifestação isolada de alergia, infecção viral ou bacteriana ou agressão
química, mas é mais comumente parte de uma infecção generalizada do trato respiratório superior ou
resultado de exposição a toxinas ambientais, como fumaça de cigarro. Outros fatores de risco incluem
uso da voz, agentes químicos, refluxo gastroesofágico, álcool.
- Embora a maioria das infecções seja autolimitada, elas podem se tornar graves, especialmente durante
a infância e a adolescência, quando a congestão da mucosa, a exsudação e o edema podem causar
obstrução da laringe.
- A forma mais comum de laringite encontrada em tabagistas intensos predispõe metaplasia epitelial
escamosa e, algumas vezes, o surgimento de carcinoma.
❖Epiglotite: H. influenzae. Quadro de edema e obstrução.
2. Nódulo laríngeo: reação não inflamatória à injúria ("nódulo do cantor"). Excrescência peduncular ou séssil,
arredondada e lisa, de poucos milímetros. Acomete terço anterior das
cordas vocais. Na microscopia, edema, proliferação de fibroblastos e áreas
hialinas.
❖Mais comuns em tabagistas intensos ou em indivíduos que impõem
grandes esforços às cordas vocais. Por convenção, os nódulos de
cantor são lesões bilaterais e os pólipos unilaterais. Adultos,
predominantemente homens, são mais afetados.
❖A localização estratégica da lesão e a inflamação que a acompanha
alteram as características da voz, com o paciente manifestando
rouquidão.
3. Papiloma e papilomatose laríngea: em crianças e adolescentes,
múltiplas lesões, predispostas por infecção por HPV 11 e 6 (papilomatose
laríngea). Podem evoluir raramente para carcinoma in situ. No adulto, lesão
solitária (papiloma), mais comum em homens, localizada sobre as cordas vocais verdadeiras, que forma
excrescências frouxas de aspecto de framboesa de poucos milímetros de dimensão.
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !30
4. Lesões pré-malignas: a probabilidade de desenvolvimento de carcinoma evidente é diretamente
proporcional ao nível de atipia com que a lesão é primeiramente observada.
❖Ceratose: fumantes e cantores. Envolve as cordas vocais. Hiperplasia epitelial, acantose e
hiperceratose.
❖Displasia: atipias celulares, perda da maturação. Leve, moderada e severa.
❖Carcinoma in situ: isolado ou associado a carcinoma invasivo.
5. Carcinoma invasivo: 2.2% dos cânceres em homens e 0.4% em mulheres (96% dos pacientes são do
sexo masculino). Mais comum na quinta década. Fumo e álcool são os principais fatores de risco (outros
fatores incluem fatores nutricionais, irradiação e infecção por HPV). Risco aumentado de um segundo tumor
no trato aéreo-digestivo superior.
A) Carcinoma glótico (60-65%): pregas vocais e comissura anterior. Evolução longa (tecido cartilaginoso,
poucos vasos linfáticos). Tratamento cirúrgico (hemilaringectomia, laringectomia radical, cordectomia),
podendo associar-se à radioterapia. Metástase em até 7.2% dos tumores T2.
❖Manifestações clínicas: em tempo intermediário. Disfonia, afonia e dispneia.
B) Carcinoma supraglótico (30-35%): falsas cordas, ventrículos e epiglote.
Disseminação periepiglótica, com metástases nodais em até 40% dos casos.
Tratamento com radioterapia e laringectomia.
❖Manifestações clínicas: precoces. Disfagia, odinofagia, disfonia, otalgia,
linfoadenomegalia cervical.
C) Carcinoma transglótico (menos de 5%): atravessa o ventrículo laríngeo.
Envolvimento nodal em 52% dos casos.
D) Carcinoma infraglótico (menos de 5%): tumores glóticos com envolvimento de mais de 1 cm da região
infraglótica ou confinados à região infraglótica. Invasão da cricoide. Metástases em 15-20% dos casos.
❖Manifestações clínicas: tardiamente, há manifestação de dispneia.
Tipos histológicos de carcinoma laríngeo:
- Carcinoma epidermoide: 90% dos casos. Inicia como lesão in situ que mais tarde assume aparência de
placa enrugada, cinza-perolada, na superfície da mucosa. Por fim, torna-se ulcerada e exuberante.
- Carcinoma verrucoso: raro, bem diferenciado, associado ao EBV.
- Carcinoma de pequenas células: sexta década, em fumantes pesados.
- Outros: adenocarcinoma, carcinoma sarcomatoide.
Carcinoma supraglótico Carcinoma glótico Carcinoma infraglótico
T1 Limitado a uma região anatômica, sem
alteração da mobilidade da corda vocal
Limitado à corda vocal, com mobilidade
preservada (envolve uma [a] ou ambas [b]
as cordas vocais)
Limitado à infraglote
T2 Tumor que invade a mucosa de mais de
um subsítio ou com extensão para a glote,
pregas vocais normais
Tumor estende-se à supraglote ou infraglote,
e/ou com mobilidade de corda vocal
diminuída
Tumor estende-se às cordas vocais
T3 Tumor limitado à laringe, com fixação das
cordas vocais, ou extensão da hipofaringe
ou espaço pré-epiglótico
Tumor limitado à laringe, com fixação das
cordas vocais
Tumor limitado à laringe, com fixação
das cordas vocais
T4a Invasão da cartilagem tireoide e/ou
tecidos adjacentes
Invasão da cartilagem tireoide e/ou tecidos
adjacentes
Invasão da cartilagem tireoide e/ou
tecidos adjacentes
T4b Invasão de espaço pré-vertebral, artéria
carótida ou estruturas mediastinais
Invasão de espaço pré-vertebral, artéria
carótida ou estruturas mediastinais
Invasão de espaço pré-vertebral,
artéria carótida ou estruturas
mediastinais
N N1 - metástase em um único linfonodo homolateral < 3 cm / N2a - linfonodo homolateral entre 3-6 cm / N2b - linfonodos
homolaterais multiplos < 6 cm / N2c - linfonodos bilaterais ou contralaterais < 6 cm / N3 - linfonodo > 6 cm.
EDUARDO MORAIS EVERLING - AD2018 !31
Metástases: à distância, principalmente para linfonodos regionais e pulmão. Por extensão direta, para veia
jugular e tireoide.
Prognóstico: dependente de estágio clínico e local. Sobrevida em 5 anos de 80% em carcinoma glótico (I
90% -> II 85% -> III 60% -> IV < 5%), 65% em carcinoma supraglótico (I 85% -> II 75% -> III 45% -> IV < 5%),
50% em transglóticos e 40% em infraglóticos.
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